FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
06/05/2013 21h57
O SENHOR NOS FEZ NOVOS POR SEU ESPÍRITO...

 

O SENHOR NOS FEZ NOVOS POR SEU ESPÍRITO...

 

O Espírito Santo, que é Deus juntamente com o Pai e o Filho, nos renova pelo batismo; e do nosso estado de imperfeição, reintegra-nos na beleza primitiva. Torna-nos de tal forma repletos de sua graça, que não podemos admitir em nós qualquer coisa que não deva ser desejada. Além disso, liberta-nos do pecado e da morte. E de terrenos que somos, quer dizer, feitos do pó da terra, nos faz espirituais, participantes da glória divina, filhos e herdeiros de Deus Pai.

Faz-nos ainda conformes à imagem do Filho, seus coerdeiros e irmãos, destinados a ser um dia glorificados e a reinar com ele. Em vez da terra, dá-nos de novo o céu, abre-nos generosamente as portas do paraíso, honra-nos mais do que os próprios anjos. E com as águas divinas do batismo, apaga as imensas e inextinguíveis chamas do inferno.

Os homens são concebidos duas vezes: uma corporalmente, a outra, pelo divino Espírito. Acerca de um e de outro nascimento, escreveram muito bem os autores sagrados. Citarei o nome e a doutrina de cada um.

João diz: A todos que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,12-13).

Todos os que acreditaram em Cristo, afirma ele, receberam a capacidade de se tornarem filhos de Deus, quer dizer, do Espírito Santo, e participantes da natureza divina. E para ficar bem claro que o Deus que gera é o Espírito Santo, acrescenta estas palavras de Cristo: Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3,5).

A fonte batismal dá à luz de maneira visível nosso corpo visível, pelo ministério dos sacerdotes; mas o Espírito de Deus, invisível a todas as inteligências, é que batiza e regenera simultaneamente o corpo e a alma, pelo ministério dos anjos. João Batista, historicamente e de acordo com esta expressão: da água e do Espírito, diz a respeito de Cristo: Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11; Lc 3,16).

Como um vaso de barro, o homem precisa primeiro ser purificado pela água; em seguida, fortalecido e aperfeiçoado pelo fogo espiritual (Deus, com efeito, é um fogo devorador). Precisamos, portanto, do Espírito Santo para nossa perfeição e renovação. Pois o fogo espiritual sabe também regar, e a água batismal é também capaz de queimar como o fogo.

Paz e Bem!

Fonte: Do Tratado sobre a Trindade, de Dídimo de Alexandria

(Liv. 2,12: PG 39,667-674)(Séc.IV)


Publicado por Frei Fernando em 06/05/2013 às 21h57
 
23/04/2013 09h13
ASSIM É DEUS...TRINDADE INDIVISA, UNIDADE TRINA...

 

ASSIM É DEUS...TRINDADE INDIVISA, UNIDADE TRINA...


Símbolo «Quicumque», atribuído a Santo Atanásio (entre 430 e 500)
 

«Eu e o Pai somos Um»

 

A fé católica é esta: que veneremos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, não confundindo as Pessoas, nem dividindo a substância. Porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, e outra a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, igual à Sua glória e coeterna à Sua majestade. Tal como o Pai, assim é o Filho e o Espírito Santo; incriado o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo. [...] O Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus; contudo, não são três deuses, mas um só Deus. [...]

A fé verdadeira consiste em que acreditemos e confessemos que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus gerado da substância do Pai antes do início dos tempos; é homem nascido da substância de Sua Mãe no tempo. Perfeito Deus e perfeito homem, que subsiste com alma racional e carne humana, igual ao Pai segundo a divindade, menor que o Pai segundo a humanidade. E embora seja Deus e homem, não há dois cristos, mas um único Cristo; um, não porque a divindade se tenha dissolvida na carne, mas porque a humanidade foi assumida por Deus. Absolutamente uno, não por confusão das substâncias, mas pela unidade da Pessoa. Pois assim como a alma racional e o corpo constituem um só homem, assim também Deus e homem constituem um só Cristo. O Qual padeceu pela nossa salvação, desceu à mansão dos mortos e ao terceiro dia ressuscitou. Subiu aos céus, onde está sentado à direita de Deus Pai omnipotente, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando em 23/04/2013 às 09h13
 
11/04/2013 10h19
LINDO, PERFEITO... À CIMA DE TODAS AS COISAS...

 

LINDO, PERFEITO... À CIMA DE TODAS AS COISAS...

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja - Confissões IX, 10

«Aquele que vem do Céu [...] dá testemunho daquilo que viu e ouviu»

Suponhamos uma alma onde se calaram as agitações da carne, onde se calaram todas as ilusões da terra, do mar, do ar e até do céu. Suponhamos que essa alma faz silêncio – silêncio dos sonhos e dos devaneios da imaginação – e se suplanta a si mesma, não pensando mais em si. Suponhamos que nela se cala igualmente qualquer língua, qualquer signo passageiro, em suma, que tudo nela é silêncio, uma vez que, ouvindo, todas as coisas lhe dizem: «Não fomos nós que nos fizemos a nós mesmas, mas fez-nos Aquele que permanece para sempre» (cf Sl 99,3.5) e, tendo dito isto, se calam de imediato porque despertam os nossos ouvidos para Aquele que as fez.

Suponhamos que Deus Se põe a falar só Ele, já não através dessas criaturas, mas através de Si mesmo, de modo a ouvirmos o Seu Verbo não por meio da língua da carne, nem da voz de um anjo, nem do estrondo de uma nuvem (Ex 19,16), nem dos enigmas das parábolas, mas para O ouvirmos a Ele próprio, que amamos em todas estas coisas [...], e assim o nosso pensamento atinge [...] a eterna Sabedoria que permanece acima de todas as coisas: [...] porventura não será isto que significa «Entra na alegria do teu Senhor»? (Mt 25,21).

Paz e Bem!

 


Publicado por Frei Fernando em 11/04/2013 às 10h19
 
04/04/2013 09h11
A VIDA DIVINA ESTÁ NA ALMA, POR ISSO, A ALMA É ETERNA...

 

A VIDA DIVINA ESTÁ NA ALMA, POR ISSO, A ALMA É ETERNA...

Paulo VI (1897-1978), papa de 1963 a 1978

Audiência Geral de 9 de Abril de 1975

«A paz esteja convosco!»

 

Fixemos agora a nossa atenção na saudação imprevista de Jesus ressuscitado aos Seus discípulos recolhidos à porta fechada no Cenáculo com medo dos judeus (Jo 20,19), saudação repetida por três vezes no mesmo contexto evangélico e que, à época, devia ser uma saudação habitual, mas que, proferida nas circunstâncias mencionadas, se reveste de uma extraordinária plenitude. Por certo vos lembrais dela: «A paz esteja convosco!», na qual ressoa o canto angélico do Natal: «paz na terra» (Lc 2,14). Trata-se de uma saudação bíblica, pré-anunciada como promessa efetiva do reino messiânico (Jo 14,27), mas agora comunicada como uma realidade declarada a esse primeiro núcleo da Igreja nascente: a paz, a paz de Cristo, saído vitorioso da morte e das causas, quer imediatas, quer afastadas, dos tremendos e desconhecidos efeitos que ela encerra.

“Jesus Ressuscitado anuncia, assim, a paz e infunde-a ao desconcertado ânimo dos discípulos [...], a paz do Senhor, entendida no seu significado primordial, tanto pessoal quanto interior, tanto moral quanto psicológico, inseparável da felicidade, que São Paulo enumera na sua lista dos frutos do Espírito Santo logo após a caridade e a alegria, quase se confundindo com elas (Gl 5,22). Esta feliz fusão não é estranha à nossa experiência espiritual comum; é até a melhor resposta à interrogação sobre o estado da nossa consciência, quando somos capazes de dizer «a minha consciência está em paz». O que haverá de mais precioso para o homem honesto na sua consciência? [...] “

A paz da consciência é, assim, a melhor e a mais autêntica felicidade, que nos ajuda a sermos fortes nas adversidades, nos resguarda a nobreza e a liberdade nas piores condições, e é para todos a tábua de salvação, porque é esperança [...] quando o desespero tende a levar a melhor. [...] O incomparável dom da paz interior é, assim, o primeiro dom de Cristo Ressuscitado aos Seus, dom de Quem havia imediatamente instituído [...] o sacramento que dá a paz, o sacramento do perdão, desse perdão que ressuscita (Jo 20,23).

Por que querer viver fora deste contexto da ressurreição do Senhor? Tudo o que não condiz com essa verdade, torna-se presa fácil da maldade que destrói a vida humana em sua ascensão para Deus. Por isso, precisamos nos ater ao dom da vida eterna que se faz presente em nossas almas desde o dia de nosso batismo, e que nos faz ressuscitar com Cristo, para a eternidade que ele preparou como herança para os que o amam...

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando em 04/04/2013 às 09h11
 
26/03/2013 23h44
QUANDO A CULPA É MAIOR QUE O ARREPENDIMENTO...

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, co-padroeira da Europa
Diálogo, 37

 

O desespero de Judas

 

 

[«(Judas) foi tocado pelo remorso e devolveu as trinta moedas de prata aos sumos-sacerdotes e aos anciãos, dizendo: “Pequei, entregando sangue inocente”. Eles replicaram: "Que nos importa? Isso é lá contigo". Atirando as moedas para o santuário, ele saiu e foi enforcar-se» (Mt 27,3-5).

Santa Catarina ouviu Deus dizer-lhe:] O pecado que não tem perdão, nem neste mundo nem no outro, é o do homem que, desprezando a Minha misericórdia, não quis ser perdoado. É isso que considero mais grave e foi por isso que o desespero de Judas Me entristeceu mais e foi mais penoso para o Meu Filho do que a sua traição. Os homens serão, pois, condenados por esse falso juízo que os leva a crer que o seu pecado é maior que a Minha misericórdia. [...] São condenados pela sua injustiça quando lamentam mais a sua sorte do que a ofensa que Me fizeram.

Pois é então que eles são injustos: não Me dando o que Me pertence e não dando a si próprios o que lhes pertence. A Mim é-Me devido o amor, o arrependimento da falta e a contrição; é isso que devem oferecer-Me devido às suas ofensas, mas fazem o contrário. Não têm amor nem compaixão a não ser por si mesmos, uma vez que só sabem lamentar-se dos castigos que os esperam. Vês, portanto, que cometem uma injustiça e é por isso que dão por si duplamente punidos, por terem desprezado a Minha misericórdia. 

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando em 26/03/2013 às 23h44



Página 1 de 156 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 » [próxima»]

Site do Escritor criado por Recanto das Letras